sábado, março 05, 2005
- não adianta, não há mais o que fazer.
- porque não?
- porque eu não nasci pra ti.
- ãh?
- é, isso. As estrelas disseram. Tu é de capricórnio e eu de libra. Nunca vai dar certo.
- mas tu nunca foi astróloga.
- é, mas eu acredito em Deus. E no Destino. E Deus e o Destino falaram que eu jamais poderei te amar. Está escrito. Maktub.
- Tá, e o que eu faço?
- Ah, segue adiante. Isso acontece com milhares de pessoas por aí.
- Legal. Acho que vou tomar um porre.
- Isso, o álcool ajuda. Ou então uma boa conversa.
- Com o Gui talvez...
- Não, o Gui não. O Gui é um cara muito legal, sabe exatamente os valores de bondade compreensão e respeito e eu vou ficar com ele.
- Que bom que estou sabendo disso.
- De nada. Dissimular nunca é a melhor saída.
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- E eu?
- Tu o que?
- Sei os valores de compreensão bondade e respeito?
- Não, tu é egoísta demais. Tem que aprender que o mundo não gira em torno de ti.
- Ah.
- (silêncio)
- Mas se alguém mente pra ficar contigo não está sendo egoísta?
- Ele não mentiu.
- Ah.
(mais longo silêncio)
- Sobre o porre...
- Fala.
- Quer ir junto?
- Não, parei de beber, lembra?
- Lembro. Mas se tu beber de novo eu posso tentar de novo.
- Gostei da tua sinceridade
(sorriso)
- mas não do teu sarcasmo.
- A vida é irônica.
- Ironia é a arma dos egoístas. Rancor também. -
O rancor é a melhor defesa...
- ...do orgulho.
- É.
- Orgulho sucks.
- Não fosse por orgulho não estaríamos discutindo.
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- Eu não sei porque tu continua com isso.
- Isso o que?
- Essa tortura. Cadê o Gui hein?
- Olhando pra cá.
- Como sabe se ele tá de óculos escuros?
- A cabeça tá voltada pra cá.
- Ah. (silêncio)
- Mas não dá mesmo pra dialogar contigo.
- Com ele é melhor?
- Sim, ele me entende.
- Porquê?
- Porque ele é de câncer.
- Ah, entendi. Então na próxima encarnação eu vou nascer de câncer.
- Próxima encarnação? Que bobagem...
- Então o meu destino é ficar sem ti?
- Sempre foi.
- Porque estávamos juntos então?
- Foi um erro.
- Ah.
- Erros se corrigem.
- Se perdoam?
- Depende. Eu não estou muito disposta a perdoar os teus.
- Nem eu.
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- tu tá bem?
- Sim (sorriso falso)
- (acena a cabeça para ela e Gui juntos)
- É. A vida é uma merda, mas não há o que fazer.
- Desencana.
- Estou tentando há quatro meses.
LuisFelipe @
4:13 AM